Daniel Kroth | Mesa de Cabeceira ou Criado-Mudo?

Mesa de Cabeceira ou Criado-Mudo?

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Mesa de Cabeceira ou Criado-Mudo?

    Como você costuma chamar a mesinha que fica ao lado da sua cama? Já parou para pensar que sua criação teve origem em um fato histórico dos tempos da escravatura no Brasil?
 
     No último dia da Consciência Negra (20/11), uma rede de lojas de móveis trouxe á tona essa discussão com o lançamento de uma campanha publicitária que propunha banir o uso do termo “criado-mudo”.  O argumento foi o de que a expressão remete ao período da escravidão, quando homens e mulheres passavam horas ao lado da cama de seus senhores segurando objetos como roupas, moringas com água e que, para não perturbar o sono deles, deviam permanecer imóveis e mudos. Mais tarde surgiu a mesinha que exercia a mesma função do escravo doméstico e, por isso, manteve-se o nome: “criado-mudo”.

     A reflexão que estamos propondo vai além da questão da utilização de um ser humano para tal função. Estamos partindo do princípio de que todos concordamos que isso é inaceitável. Mas sim discutir se a utilização do termo “criado-mudo” tem, de fato, alguma conotação de ofensa racial por parte de quem o utiliza. 
 
     Se a maioria das pessoas sequer conhece o peso histórico da expressão e a emprega sem maldade ou preconceito, para quê abrir a ferida de um período violento da nossa história? Por outro lado, despertar esse “incômodo” na sociedade não seria válido para lembrar que a luta pela igualdade, seja de raça, de gênero ou de oportunidades, deve ser permanente?

     As feridas que continuam abertas são as do preconceito, não a de uma mesinha criada há 200 anos para substituir o trabalho humano.

     Na sua opinião, existe racismo ao se referir à mesa de cabeceira como criado-mudo?

18 de Fevereiro de 2020

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